Quase metade dos adolescentes portugueses apresenta sintomas depressivos. Este artigo explora o que está a acontecer, porque é que estes números cresceram e o que podem fazer as famílias para fazer a diferença.

A adolescência nunca foi fácil. É um período de mudança profunda no corpo, na identidade, nas relações, na forma de ver o mundo. Mas o que a ciência tem mostrado nas últimas décadas, e especialmente após a pandemia, é que os adolescentes de hoje estão a crescer num contexto particularmente exigente para a sua saúde mental.
Os números são difíceis de ignorar. E mais importante do que os números são as histórias que estão por detrás deles: jovens que se sentem incompreendidos, sozinhos ou sem ferramentas para lidar com o que sentem. Este artigo existe para ajudar quem os rodeia, pais, cuidadores, educadores, a perceber melhor o que se passa e o que pode fazer a diferença.
“A depressão é a 9.ª causa de doença e incapacidade entre os adolescentes a nível mundial. A ansiedade é a 8.ª. E o suicídio é a terceira principal causa de morte entre os jovens de 15 a 19 anos.”
— Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS)
O que os dados nos dizem
Portugal não é exceção à tendência global. Os números são claros e consistentes ao longo dos últimos anos:

Nem sempre é fácil distinguir o que é desenvolvimento normal da adolescência daquilo que é sofrimento que precisa de atenção. Mas há sinais que, quando persistem ou se intensificam, merecem que paremos e escutemos.
Quando é chegada a hora de procurar ajuda profissional
Não precisa de ter a certeza de que “é grave” para procurar apoio. Se algo não está bem, essa intuição merece ser levada a sério. Alguns sinais que indicam que a intervenção profissional é importante:
Os sintomas persistem há mais de duas semanas. O comportamento mudou de forma significativa e inexplicável. O jovem expressa pensamentos de autolesão ou de que “não quer estar aqui”. A família já não consegue comunicar sem conflito constante. O rendimento escolar caiu de forma abrupta.
O apoio psicológico na adolescência é um investimento de longo prazo. Um jovem que aprende a conhecer as suas emoções, a pedir ajuda e a construir relações saudáveis terá essas ferramentas para a vida toda.
A conversa inicial não compromete e pode fazer toda a diferença.
Referências Bibliográficas
OPAS/OMS — Saúde mental dos adolescentes; Programa Mais Contigo / Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (2023); Instituto de Saúde e Desenvolvimento da Criança — Coordenação Nacional de Saúde Mental (SNS Portugal); Institute for Health Metrics and Evaluation (2019); Relatório OCDE Health at a Glance; Estudo Nacional de Saúde Marktest/Medicare (2025); CUF — Saúde mental infantil: sinais de alerta e quando intervir.

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